Nuvinc
6 min de leitura

Viabilidade com fluxo de caixa sempre foi um dilema dentro das incorporadoras

O estudo mais decisivo do negócio costuma ser feito na ferramenta menos adequada, por quem tem menos tempo para isso.

Gabriel Fellipo BorbaFundador da Nuvinc

Um estudo que exige senioridade

Operar uma viabilidade com qualidade é complexo e exige um mínimo de senioridade de quem está à frente dela.

Quando falo em senioridade, não estou falando de tempo de carteira nem de diploma. Estou falando de conhecer o ciclo do negócio, entender de onde vem cada premissa e, principalmente, saber o peso que cada item tem no resultado final.

Essa última parte é a que mais separa quem opera bem de quem opera mal. Em uma viabilidade, nem tudo pesa igual. Existem premissas que, se estiverem erradas em 5%, quase não alteram o desfecho, e existem outras que, erradas em 2%, transformam um projeto saudável em um projeto que vai consumir caixa por três anos. Saber onde olhar, e com que profundidade olhar, é o que diferencia um estudo confiável de um exercício de planilha.

Quando o sócio assume a viabilidade

Como é um trabalho complexo e que exige alguém que realmente entenda do assunto, muitas incorporadoras de porte menor, ou com volume de receita mais baixo, optam por não manter uma pessoa dedicada a isso. Um dos sócios assume a função.

Não vejo problema nenhum nisso. Na verdade, acho positivo: quem está projetando o dinheiro passa a ser o dono do dinheiro. Ninguém tem mais interesse em enxergar o risco real do que quem vai bancá-lo, e ninguém conhece melhor o apetite de risco da casa.

O problema aparece em outro ponto. Com frequência esse sócio é excelente em terreno, em produto, em relacionamento e em vendas, mas não tem profundidade financeira. E aí ele acaba se enganando com alguns números sem perceber que se enganou, deixando de projetar e analisar as variáveis do empreendimento da melhor forma.

Onde o autoengano costuma acontecer

Nas conversas que tenho com incorporadores, alguns pontos se repetem com bastante frequência:

Confundir resultado com caixa. O empreendimento fecha com margem boa no papel e ainda assim exige aporte durante a obra, porque o desembolso acontece antes do recebimento. Margem e liquidez são coisas diferentes, e o estudo precisa mostrar as duas.

Distribuir o custo de obra de forma linear. O desembolso real segue a curva física da obra, não uma divisão igual por mês. Quando a planilha lineariza, a necessidade de caixa aparece menor e mais tarde do que ela vai aparecer de verdade.

Tratar permuta como custo zero. A permuta não sai do bolso na compra, mas sai do VGV disponível para venda. Quando ela entra no estudo sem esse efeito, o resultado incha.

Ignorar o custo do tempo. Cada mês a mais de aprovação, de projeto ou de obra tem preço, e esse preço raramente é calculado por quem está preenchendo a planilha às pressas.

Trabalhar com cenário único. Velocidade de vendas, preço médio, INCC e custo de obra são premissas vivas. Um estudo com um único cenário informa muito pouco sobre o risco que a empresa está assumindo, porque não mostra a que distância está o ponto em que o negócio deixa de fechar.

Não olhar a exposição máxima de caixa. É comum a decisão ser tomada pela margem final e pela TIR, sem que ninguém tenha perguntado quanto a empresa precisa ter disponível no pior mês do fluxo. Esse número costuma ser o que realmente define se o projeto cabe na casa.

Volto a dizer: é algo complexo e não é para qualquer um. Muita gente acha que sabe e entende disso, mas não consegue descer ao detalhe a ponto de projetar cenários factíveis.

Tudo começa com a ferramenta

Acredito fielmente que mitigar essa situação começa pela escolha de uma boa ferramenta de viabilidade. Na prática, o caminho quase sempre é o mesmo: começa em um Excel e depois evolui para uma plataforma específica.

O detalhe é que esse Excel, na maioria das vezes, foi enviado por algum amigo incorporador. Ele chega pronto, com abas travadas, fórmulas longas e premissas escondidas dentro do cálculo. O incorporador passa a confiar naquele arquivo porque ele veio de alguém que dá certo no mercado, mas não consegue explicar o porquê de cada trecho. Ele opera uma caixa-preta que produz um número no qual ele aposta cinco anos da empresa.

E quando decide migrar para uma plataforma, muitas vezes esbarra em uma segunda barreira. O sistema é robusto, faz tudo, mas exige um esforço grande só para entender o que cada parte significa. A caixa-preta mudou de formato e continuou sendo uma caixa-preta.

O que uma ferramenta de viabilidade precisa ser

Dada a complexidade do tema e a falta de senioridade de quem opera em alguns casos, a ferramenta precisa cumprir quatro exigências:

Intuitiva. O caminho natural do usuário deve ser o caminho correto, sem que ele precise decorar a ordem de preenchimento.

Autoexplicativa. Cada campo deve deixar claro o que espera receber e por que aquilo importa. Quem preenche precisa aprender sobre o próprio negócio enquanto usa, e não apenas alimentar células.

Fácil de operar. Montar um cenário e comparar com outro tem que ser questão de minutos, senão ninguém testa alternativa nenhuma e o estudo volta a ser um cenário único.

Eficiente no resultado. O que sai do outro lado precisa ser suficiente para decidir: fluxo de caixa por período, exposição máxima, margem, TIR e o comportamento do projeto quando as premissas mudam.

Ferramenta boa, sozinha, também não resolve

Aqui está o ponto onde eu mais acredito.

Nenhum software transforma alguém em analista de viabilidade. Ele organiza o cálculo, evita erro de fórmula, dá velocidade e padroniza a apresentação, mas não fornece o repertório de quem já viu duzentos estudos e reconhece uma premissa otimista no primeiro olhar.

Por isso acredito na fusão de duas coisas: uma ferramenta fácil, intuitiva e eficiente, somada a uma equipe de apoio com a senioridade necessária para treinar, aconselhar, direcionar e acompanhar o cliente ao longo do uso. Alguém que consiga olhar para o estudo e dizer que a velocidade de vendas está agressiva para aquela região, que o prazo de aprovação está curto para aquele município, que falta considerar determinado custo.

A tecnologia entrega escala e consistência. A pessoa experiente entrega julgamento. Uma coisa sem a outra deixa o incorporador na mesma situação de antes, apenas com uma interface mais bonita.

Conclusão

A viabilidade é o documento que autoriza a incorporadora a assumir um compromisso de cinco anos e de dezenas ou centenas de milhões. É nela que se decide comprar ou não comprar o terreno, e é a partir dela que todo o resto do desenvolvimento se estrutura.

Um estudo dessa importância merece ser feito em uma ferramenta que o operador entenda por completo, com alguém experiente por perto para questionar as premissas antes que o mercado as questione por você.

Na Nuvinc, é exatamente assim que trabalhamos a viabilidade: plataforma simples de operar e um time que acompanha o cliente de perto.

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